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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Casamento de Kim Jong-un


Tardiamente, este blog reproduz o belo poema lido por Kim Jong-un em seu enlace matrimonial com Ri Sol-ju, ao qual a "New Yorker" teve acesso. Scatterbrain faz votos de felicidades ao Primeiro Casal da grande nação norte-coreana.

My Bride, on this our Wedding Day, I wrote this poem for you:
With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I’ll show you everything
With arms wide open
I’ll show you love and laughter and Disney characters
Snow White, Cinderella, Buzz Lightyear, and Nemo the fish
From every Disney movie ever made except “Mars Needs Moms”
Which really blew
And if Disney claims “intellectual property”
I will destroy Disney Studios in a merciless fireball
They stole all their characters from North Korea anyway
Grumpy the Dwarf was totally based on Dad
I wish Dad was here
He loved looking at things
He’d look at us right now and say,
“Those are two things right there”
And then go look at something else
I’ll never forget the day I proposed to you
And you told me, “You had me at ‘food.’ ”
And so, my bride, I promise:
My love will last longer and go farther
Than North Korea’s mightiest missile
Way longer and way farther
And I will make you grateful every day
That unlike Katie Holmes, you married someone normal
LOL
And everywhere in North Korea, people will celebrate our nuptials:
After the rice is thrown, they will fall to their hands and knees to scoop it up
And the two of us will sing
Hi ho hi ho
As off to work we go
With arms wide open.

domingo, 1 de julho de 2012

A Fracassada Guerra às Drogas


Se, por volta de 1967, o abuso de maconha e LSD tinha implicações, digamos, mais comportamentais, como citado aqui há dois posts, o debate contemporâneo sobre a questão das drogas adquire contornos eminentemente mais políticos. Revista irmã da "Vanity Fair", a "New Yorker" publicou recentemente um excelente artigo sobre a batalha que trava a cidade mexicana de Guadalajara contra cartéis ligados principalmente ao tráfico de metanfetaminas, cujo destino final são quase sempre os Estados Unidos (segundo informações da ONU, anfetaminas superam cocaína e opiáceos e ficam atrás apenas da maconha como a classe de drogas mais consumida no mundo todo). Cidade de cerca de 4,5 milhões de habitantes, que já foi conhecida por sua segurança e sofisticação, Guadalajara entrou na espiral de violência descontrolada que atingiu quase todo o país, contaminando a sociedade, a polícia e a política, sem parecer apontar para uma real solução a médio ou longo prazo. Surgiram organizações criminosas também ligadas à "venda de proteção", a contrabando de produtos e à extorsão de imigrantes ilegais. A eleição presidencial realizada hoje no país, com esperada vitória da oposição, não deverá mudar esse curso.
O caso mexicano evidencia o completo fracasso da chamada política de "Guerra às Drogas", elaborada principalmente pelos EUA a partir da década de 1970. A simples repressão à oferta e criminalização da demanda se provou contraproducente ao não encarar o problema de frente e com todas as nuances que tal tarefa exigiria. Em última análise, uma sociedade livre das drogas é virtualmente uma utopia. O melhor a se fazer seria tentar uma regulamentação mínima desse comércio e um projeto de educação baseado em mais informações e menos preconceitos e dogmatismos. Alguns países europeus chegaram a resoluções com base em políticas de redução de danos. É claro que países como os Estados Unidos, o México e o Brasil, culturalmente mais heterogêneos e socialmente mais complexos, exigiriam soluções baseadas em suas características particulares e seria imperativo considerar a inserção deles no sistema internacional. Mas, como mostra o nível de brutalidade a que se chegou a violência no México e a infiltração do crime organizado em praticamente toda a estrutura do estado, já passou do tempo da ineficiente política de simples repressão ser revista. Caberiam aos políticos enfrentar o problema de frente e com o mínimo de preconceito possível. Mas um mesquinho e ignorante cálculo político impede que o debate suba de nível.