Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comportamento. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Antony Hegarty - Future Feminism



A questão de gênero e, principalmente, de transcendência de gênero, é fundamental em todo o trabalho do Antony, e não só no seu projeto mais conhecido, "Antony and the Johnsons" (cujo álbum de 2005, "I Am a Bird Now", trazia na capa uma belíssima foto da transexual Candy Darling em seu leito de morte). O próprio Antony se considera hoje um transgênero, se medicando com hormônios femininos. Ele falou um pouco sobre isso em entrevista ao site da "Dazed & Confused".
O texto do áudio acima mostra um pouco de suas concepções que buscam unir gênero, ecologismo e pacifismo. Racionalmente, é o samba do crioulo doido, sem muito sentido mesmo. Mas só de ouvir o Antony interpretando-o (não existe outra palavra), fica uma sensação, de fato, transcendental.

Kim Gordon: "We Need a Pussy Riot"



Falar bobagem ou repetir chavões requentados são os maiores riscos que se corre ao se comentar assuntos onipresentes nos noticiários. E, talvez por juntar música e política, esse caso da prisão e condenação das moças da banda russa "Pussy Riot" tem sido divulgado à exaustão, proporcionando algumas discussões e opiniões relevantes e outras tantas que beiram o constrangedor. A sempre interessante Kim Gordon não decepcionou e falou uma meia dúzia de coisas estimulantes.

sábado, 7 de julho de 2012

One Step Beyond - The Sacred Mushroom



Mais um daqueles posts incríveis do "Dangerous Minds". Menos de um ano depois das primeiras experiências lisérgicas do Timothy Leary, o diretor e apresentador do programa de televisão norte-americano "One Step Beyond", John Newland, viajou até o México para experimentar os "cogumelos mágicos" ou "sagrados" - o peiote. Isso em 1961. De lá pra cá, não é necessário ser nenhum gênio para se perceber o quanto a televisão de uma forma geral perdeu em genuína sofisticação e ousadia.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Os 30 Anos de "Coisas Eróticas", o Primeiro Pornô Explícito Brasileiro


Amanhã, 07/07, completam-se os 30 anos da primeira exibição de um filme pornô explícito nacional, o "Coisas Eróticas" (Raffaele Rossi), no Cine Windsor, centrão paulistano. O "Estadão" nos conta que um documentário e um livro sobre os bastidores da produção foram preparados. O filme, egresso da Boca do Lixo, pode ser facilmente baixado na rede e o seu interesse é, digamos, apenas histórico.
É interessante notar que o primeiro explícito norte-americano, "Mona", foi lançado em 1970, mesmo ano, por exemplo, do primeiro dinamarquês, "Mazurka på sengekanten". Nós brasileiros sempre nos jactamos de ser sexualmente avançados, mas não passamos mesmo de uns retardatários.

sábado, 30 de junho de 2012

Os 45 Anos do Verão do Amor


A edição de julho da "Vanity Fair" traz uma boa reportagem sobre os precedentes que culminaram no assim chamado "Verão do Amor" - que completa 45 anos em 2012. É interessante ver os eventos sob perspectiva. Não há como negar que os acontecimentos tiveram efeitos consideráveis sobre o comportamento e a política dos Estados Unidos - e, por tabela, em pelo menos no resto do mundo ocidental. Entretanto, ao contrário do que pode nos levar a crer alguns dos personagens daqueles tempos, os demais movimentos que se desenrolavam em paralelo, como o pacifismo e a luta por direitos civis (das mulheres, dos negros, dos gays), foram catalisados  por aqueles tempos lisérgicos, e não necessariamente causados por eles. O músico Joe McDonald vê uma compreensível ligação direta com movimentos contemporâneos, como o "Occupy Wall Street", mas relacionar aquele Verão à Primavera Árabe é forçar um pouco a barra. A aura comunitarista, revisionista e libertária teve implicações diretas na moda, na música, nas experiências químicas, no início dos protestos contra aquele atoleiro que se tornaria a guerra no Vietnã (basta dizer que os três presidentes norte-americanos do período de 1967 ao fim do conflito, Lyndon Johnson, Richard Nixon e Gerald Ford, tiveram administrações turbulentas), mas sob um aspecto mais pitoresco, se levarmos em conta a ótica atual (como não considerar irresistível a ideia da Haight Ashbury Free Medical Clinic?). Contudo, como lembra o colunista do "Washington Post", Nicholas von Hoffman, que cobriu de maneira mais crítica aquele momento, a maioria daquelas pessoas não eram particularmente bem educadas ou politicamente engajadas - estavam mesmo era atrás do famigerado trinômio "sexo, drogas e rock'n'roll". Entre 1988 e 1989 houve uma espécie de "reedição" do Verão do Amor na Inglaterra, com o início das raves e com o ecstasy substituindo o LSD como "droga-fetiche".
O mais importante, nos lembra o artigo, é que ficaram várias lições, como a impossibilidade de se construir um movimento social baseado em drogas e uma maior valorização de princípios como amor e liberação. É isso aí.

domingo, 10 de junho de 2012

Weekend (Andrew Haigh, 2011)


Resvalar para o clichê é o resultado mais comum do chamado "cinema de gênero". É por isso que, quando surge um filme como o britânico "Weekend", ele tende a facilmente se destacar. Indo muito além do estereótipo de "filme gay", trata-se de uma história muito crível de dois caras working class que se conhecem e ficam juntos, como o título sugere, durante um fim de semana. O roteiro enxuto e a direção segura lidam com questões como desilusão amorosa, saída do armário, sexo casual e busca de algo mais de uma maneira realista. Não se trata aqui de uma história de amor impossível, de desabrochar de pessoas especiais ou de discursos políticos prontos, mas da narração verossímil de duas pessoas comuns que se conhecem em uma situação banal, têm problemas cotidianos para resolver e questões particulares para enfrentar. Fugir de fórmulas e evitar proselitismos é, afinal de contas, ainda a melhor maneira de se contar uma história.

Os bichos bichas de Ivan Lessa


Em dia de parada gay em São Paulo, vale lembrar uma bela crônica escrita pelo ivan lessa há cinco anos.