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domingo, 12 de agosto de 2012

Laurie Anderson - Speak My Language (de Fallen Angels, Wong Kar-wai, 1995)



A música desempenha um papel-chave nos filmes do Wong Kar-wai, quase como um personagem extra. O excerto acima é um dos mais luminosos da carreira do diretor (entre tantos outros...), de uma delicadeza e elegância raramente vistas em uma cena de masturbação - e torna "Speak My Language", da Laurie Anderson, antológica.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Almodóvar y McNamara - Suck It To Me (de Labirinto de Paixões/Laberinto de Pasiones, Pedro Almodóvar, 1982)



Pedro Almodóvar é pai e filho da "Movida Madrileña", movimento cultural de cunho libertário que surgiu na Espanha pós-franquista e que atingiu (e dialogou com) praticamente todas as artes e mídias. Depois de décadas sob a repressão de uma das mais longas e conservadoras ditaduras da Europa Ocidental, um certo grupo de boêmios, artistas, intelectuais, junkies etc. puderam dar vazão à liberdade por tanto tempo reprimida. Com muitas cores, sexo, drogas, cultura pop e estética kitsch, popularizaram-se expressões como "Esta noche todo el mundo a la calle" e "Madrid me mata".
Os primeiros filmes do cineasta espanhol ainda estavam muito impregnados desse clima e dessa estética. "Labirinto de Paixões"/"Laberinto de Pasiones", de 1982, é apenas seu segundo longa e, embora com várias arestas para se aparar, já mostrava um autor com impressionante domínio da narrativa e olhar passional (que, paradoxalmente, sempre manteve uma visão distante o suficiente de emitir juízos de valores sobre as ações de seus personagens) - qualidades essas que chegariam perto da perfeição quase 20 anos depois, com "Tudo Sobre Minha Mãe"/"Todo Sobre Mi Madre" e "Fale com Ela"/"Hable Con Ella", que mostram um artista mais sóbrio e maduro.
A provocante letra da música acima (performada pelo cineasta e pelo artista Fabio McNamara) ressalta bem os traços dos espíritos da Movida e do próprio Almodóvar, que, por um tempo, tanto se confundiram.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Lou Reed - This Magic Moment (de Estrada Perdida/Lost Highway, David Lynch, 1997)



Grandes artistas conseguem transformar banalidades em momentos sublimes. Aqui, o clichê "amor à primeira vista" adquire outros contornos com a visão do David Lynch e a versão do Lou Reed para "This Magic Moment". É o filme mais completo do Lynch.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Moon River (em Tournée, Mathieu Amalric, 2010)



Em 2010, Mathieu Amalric ganhou o prêmio de direção no Festival de Cannes por "Tournée". Não fossem os ótimos números musicais, teria sido um baita exagero.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Manhã de Carnaval (de Orfeu Negro, Marcel Camus, 1959)



Uma das piores heranças do Cinema Novo foi ter, durante anos, relegado ao desprezo alguns filmes de realizadores que não faziam parte da "turminha". "Orfeu Negro" é um dos casos típicos. Embora a produção seja francesa, o filme foi todo rodado no Rio, com elenco brasileiro, e baseado na peça do Vinícius de Moraes. Os "intelequituais" torceram o nariz. Para eles, era um filme que mostrava apenas o "Brasil folclórico". Nunca concordei com tal julgamento, que, de qualquer modo, não é demérito nenhum. O filme é lindo. E conta com a mais bela trilha sonora da história do cinema brasileiro.
"O Pagador de Promessas", que o Anselmo Duarte adaptou da peça do Dias Gomes, é outro filme que deveria ser melhor avaliado. O cinema da Boca do Lixo, em anos recentes, vem conquistando o reconhecimento devido. Mas sempre valorizamos por aqui aquelas alegorias ruins de doer do Cinema Novo, quando não aquelas adaptações horrorosas do Nelson Rodrigues (das quais merecem destaque aquelas dirigidas pelo Neville d'Almeida, provavelmente o pior diretor brasileiro de todos os tempos).
Um dos arautos do Cinema Novo, Cacá Diegues, dirigiu justamente uma adaptação de Orfeu lá por 1999 ou 2000. É ruim demais - até a trilha do Caetano é frouxa e sem vida. Voltemos ao original.  

sexta-feira, 6 de julho de 2012

terça-feira, 3 de julho de 2012

David Bowie - Space Oddity



No filme canadense C.R.A.Z.Y. (Jean-Marc Vallé, 2005), o personagem do Marc-André Grondin consegue traduzir bem uma das melhores músicas da carreira do David Bowie, a desesperada (e desesperançada) "Space Oddity".

O próprio Bowie também participou de uma versão da música no filme promocional de 1969, "Love You Till Tuesday", dirigido por Malcolm J. Thompson. O resultado, ainda que levemente interessante, se mostrou mais previsível.