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domingo, 11 de novembro de 2012

A Turma do Charlie Brown (Race For Your Life, Charlie Brown, Bill Melendez and Phil Roman, 1977)



Nada melhor que um filme de animação realmente infantil, mas que trata as crianças com muito respeito, ao fazer uso de um roteiro bem amarrado, com personagens bem construídos e uma mensagem final edificante (não haveria como ser diferente), mas não necessariamente redentora ao extremo. O longa de 1977 da turma do "peanut" Charlie Brown, "Race For Your Life, Charlie Brown", apresenta os clássicos personagens de Charles M. Schulz em um acampamento de férias, competindo em uma corrida de botes com outros personagens, principalmente três garotos maiores e malvados. O enredo básico privilegia o traçado simples dos personagens, reafirma a personalidade de cada um dos garotos (e, claro, do cão Snoopy e do pássaro Woodstock) e tem uma belíssima trilha sonora, bebendo no folk e no jazz. Schulz e os diretores Melendez e Roman, numa época em que a abordagem infantil era bem diferente desta dos dias que correm, ao ironizarem temas adultos, como auto-estima, liderança e democracia, apostaram que estavam falando com crianças espertas. Eles estavam, e essa aposta bem que poderia ser constantemente renovada por outros animadores.

domingo, 4 de novembro de 2012

Alois Nebel (Tomáš Luňák, 2011)



Se, como já comentei anteriormente, o hiper-realismo de parte parte das animações atuais tendem a restringir as diversas nuances de suas produções, por outro lado, o uso de elementos de animação podem enriquecer as narrativas do chamado "cinema de carne e osso". O tcheco "Alois Nebel", adapatado por processo de rotoscopia da trilogia de graphic novel homônima, utiliza justamente essas características para imprimir com força os aspectos oníricos e alucinatórios da história de um despachante de trem de um pequeno vilarejo na Tchecoslováquia de fins de 1989 enviado para uma clínica de saúde mental ao confundir constantemente alucinação e realidade, presente e passado.
O filme é, de fato, uma seca reflexão da transição do comunismo para os novos dias na Tchecoslováquia, onde o tempo está constantemente sombrio e fechado, os cenários estão desmoronando, os trens descarrilados e as notícias da transição política chegam aos passivos personagens por meio de longínquas transmissões radiofônicas. É o novo se impondo em um contexto onde o passado sequer foi devidamente assimilado, as feridas da história não se cicatrizaram completamente. Luňák nos mostra de maneira pouco condescendente uma realidade que mudou tão velozmente e tão impositivamente que poucos conseguiram assimilar aquele novo mundo real.    

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

The Lost Thing (Andrew Ruhemann & Shaun Tan, 2010)



Uma das mais belas fábulas modernas sobre sentir-se deslocado, incompreendido ou estrangeiro. O alívio final invariavelmente me recorda outros freaks, aqueles que, lá pro fim do filme do Lynch, ajudam "O Homem Elefante"/"The Elephant Man" em sua fuga. De cortar o coração.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

domingo, 29 de julho de 2012

A Princesa e o Piloto (To aru Hikuushi e no Tsuioku, Jun Shishido, 2012)


"A Princesa e o Piloto"/"To aru Hikuushi e no Tsuioku" é uma bela animação exibida no festival Anima Mundi. Conta a história de um piloto de uma classe inferior que, por seu talento, lhe é conferida a missão de escoltar uma futura princesa para um território seguro, onde ela, então, poderá ser entregue a seu príncipe prometido. As belas cenas, entretanto, são ofuscadas por um hiper-realismo que, de resto, tem sido a ambição de muitas animações. A fotografia e os enquadramentos, por exemplo, parecem querer emular as convenções do cinema tradicional. O que me atrai em animações é justamente sua possibilidade inerente de transcender as regras do realismo e contar histórias livre da gramática narrativa do cinema de "carne e osso". Os filmes de Hayao Miyasaki são um bom exemplo dessa liberdade levada às últimas consequências e servem de modelo para realizadores que queiram fugir da narrativa simplesmente "bem feita" e de "bom gosto" e alcançar patamares realmente memoráveis e, por que não, desconcertantes.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

The Danish Poet (Torill Kove, 2006)



Belíssima fábula sobre o acaso, vencedora do Oscar de Curta de Animação em 2007. A narração é da musa do Bergman, Liv Ullmann.