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sábado, 11 de agosto de 2012

Soulwax - E-Talking



Names that sound familiar
Secret wounds from failure
Try and look into their eyes
A part of the weekend never dies
There's no tension in your dance
As you try and hold my hand

Late night phonecalls
Try to please all

sábado, 7 de julho de 2012

One Step Beyond - The Sacred Mushroom



Mais um daqueles posts incríveis do "Dangerous Minds". Menos de um ano depois das primeiras experiências lisérgicas do Timothy Leary, o diretor e apresentador do programa de televisão norte-americano "One Step Beyond", John Newland, viajou até o México para experimentar os "cogumelos mágicos" ou "sagrados" - o peiote. Isso em 1961. De lá pra cá, não é necessário ser nenhum gênio para se perceber o quanto a televisão de uma forma geral perdeu em genuína sofisticação e ousadia.

domingo, 1 de julho de 2012

A Fracassada Guerra às Drogas


Se, por volta de 1967, o abuso de maconha e LSD tinha implicações, digamos, mais comportamentais, como citado aqui há dois posts, o debate contemporâneo sobre a questão das drogas adquire contornos eminentemente mais políticos. Revista irmã da "Vanity Fair", a "New Yorker" publicou recentemente um excelente artigo sobre a batalha que trava a cidade mexicana de Guadalajara contra cartéis ligados principalmente ao tráfico de metanfetaminas, cujo destino final são quase sempre os Estados Unidos (segundo informações da ONU, anfetaminas superam cocaína e opiáceos e ficam atrás apenas da maconha como a classe de drogas mais consumida no mundo todo). Cidade de cerca de 4,5 milhões de habitantes, que já foi conhecida por sua segurança e sofisticação, Guadalajara entrou na espiral de violência descontrolada que atingiu quase todo o país, contaminando a sociedade, a polícia e a política, sem parecer apontar para uma real solução a médio ou longo prazo. Surgiram organizações criminosas também ligadas à "venda de proteção", a contrabando de produtos e à extorsão de imigrantes ilegais. A eleição presidencial realizada hoje no país, com esperada vitória da oposição, não deverá mudar esse curso.
O caso mexicano evidencia o completo fracasso da chamada política de "Guerra às Drogas", elaborada principalmente pelos EUA a partir da década de 1970. A simples repressão à oferta e criminalização da demanda se provou contraproducente ao não encarar o problema de frente e com todas as nuances que tal tarefa exigiria. Em última análise, uma sociedade livre das drogas é virtualmente uma utopia. O melhor a se fazer seria tentar uma regulamentação mínima desse comércio e um projeto de educação baseado em mais informações e menos preconceitos e dogmatismos. Alguns países europeus chegaram a resoluções com base em políticas de redução de danos. É claro que países como os Estados Unidos, o México e o Brasil, culturalmente mais heterogêneos e socialmente mais complexos, exigiriam soluções baseadas em suas características particulares e seria imperativo considerar a inserção deles no sistema internacional. Mas, como mostra o nível de brutalidade a que se chegou a violência no México e a infiltração do crime organizado em praticamente toda a estrutura do estado, já passou do tempo da ineficiente política de simples repressão ser revista. Caberiam aos políticos enfrentar o problema de frente e com o mínimo de preconceito possível. Mas um mesquinho e ignorante cálculo político impede que o debate suba de nível.

sábado, 30 de junho de 2012

Os 45 Anos do Verão do Amor


A edição de julho da "Vanity Fair" traz uma boa reportagem sobre os precedentes que culminaram no assim chamado "Verão do Amor" - que completa 45 anos em 2012. É interessante ver os eventos sob perspectiva. Não há como negar que os acontecimentos tiveram efeitos consideráveis sobre o comportamento e a política dos Estados Unidos - e, por tabela, em pelo menos no resto do mundo ocidental. Entretanto, ao contrário do que pode nos levar a crer alguns dos personagens daqueles tempos, os demais movimentos que se desenrolavam em paralelo, como o pacifismo e a luta por direitos civis (das mulheres, dos negros, dos gays), foram catalisados  por aqueles tempos lisérgicos, e não necessariamente causados por eles. O músico Joe McDonald vê uma compreensível ligação direta com movimentos contemporâneos, como o "Occupy Wall Street", mas relacionar aquele Verão à Primavera Árabe é forçar um pouco a barra. A aura comunitarista, revisionista e libertária teve implicações diretas na moda, na música, nas experiências químicas, no início dos protestos contra aquele atoleiro que se tornaria a guerra no Vietnã (basta dizer que os três presidentes norte-americanos do período de 1967 ao fim do conflito, Lyndon Johnson, Richard Nixon e Gerald Ford, tiveram administrações turbulentas), mas sob um aspecto mais pitoresco, se levarmos em conta a ótica atual (como não considerar irresistível a ideia da Haight Ashbury Free Medical Clinic?). Contudo, como lembra o colunista do "Washington Post", Nicholas von Hoffman, que cobriu de maneira mais crítica aquele momento, a maioria daquelas pessoas não eram particularmente bem educadas ou politicamente engajadas - estavam mesmo era atrás do famigerado trinômio "sexo, drogas e rock'n'roll". Entre 1988 e 1989 houve uma espécie de "reedição" do Verão do Amor na Inglaterra, com o início das raves e com o ecstasy substituindo o LSD como "droga-fetiche".
O mais importante, nos lembra o artigo, é que ficaram várias lições, como a impossibilidade de se construir um movimento social baseado em drogas e uma maior valorização de princípios como amor e liberação. É isso aí.