quarta-feira, 29 de agosto de 2012

The Lost Thing (Andrew Ruhemann & Shaun Tan, 2010)



Uma das mais belas fábulas modernas sobre sentir-se deslocado, incompreendido ou estrangeiro. O alívio final invariavelmente me recorda outros freaks, aqueles que, lá pro fim do filme do Lynch, ajudam "O Homem Elefante"/"The Elephant Man" em sua fuga. De cortar o coração.

The Kills - Love Is A Deserter

terça-feira, 28 de agosto de 2012

The Kills - Goodnight Bad Morning

Album Cover: Antony and the Johnsons (I Am a Bird Now, 2005)



"Candy Darling on Her Deathbed" é a foto, linda, do Peter Hujar que cobre o segundo disco do "Antony and the Johnsons". O álbum fala muito de inadequação de gênero, de maneira quase sempre lírica, e não foi nada gratuito o uso justamente da imagem de um dos ícones, superstars, da "Factory" do Andy Warhol (personagem e inspiração de canções emblemáticas como "Candy Says" e "Walk on the Wild Side", do Lou Reed e, dizem, "Candy", do Iggy Pop), vítima de um câncer em decorrência do excesso de hormônios utilizados para mudança de sexo.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

The Kills - The Last Goodbye



Dói.

Antony Hegarty - Future Feminism



A questão de gênero e, principalmente, de transcendência de gênero, é fundamental em todo o trabalho do Antony, e não só no seu projeto mais conhecido, "Antony and the Johnsons" (cujo álbum de 2005, "I Am a Bird Now", trazia na capa uma belíssima foto da transexual Candy Darling em seu leito de morte). O próprio Antony se considera hoje um transgênero, se medicando com hormônios femininos. Ele falou um pouco sobre isso em entrevista ao site da "Dazed & Confused".
O texto do áudio acima mostra um pouco de suas concepções que buscam unir gênero, ecologismo e pacifismo. Racionalmente, é o samba do crioulo doido, sem muito sentido mesmo. Mas só de ouvir o Antony interpretando-o (não existe outra palavra), fica uma sensação, de fato, transcendental.

Kim Gordon: "We Need a Pussy Riot"



Falar bobagem ou repetir chavões requentados são os maiores riscos que se corre ao se comentar assuntos onipresentes nos noticiários. E, talvez por juntar música e política, esse caso da prisão e condenação das moças da banda russa "Pussy Riot" tem sido divulgado à exaustão, proporcionando algumas discussões e opiniões relevantes e outras tantas que beiram o constrangedor. A sempre interessante Kim Gordon não decepcionou e falou uma meia dúzia de coisas estimulantes.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Joe Strummer em Mystery Train (Jim Jarmusch, 1989)



2012 é o ano de ao menos duas grandes efemérides para Joe Strummer: o genial líder do "Clash" faria 60 anos de idade hoje, caso não houvesse morrido há uma década atrás. Sua discografia indispensável está ao alcance por alguns meros cliques aqui na rede, mas vale lembrar também sua participação no jarmuschiano "Mystery Train".

Peter Griffin - Surfin Bird



"Oh have you not heard? It was my understanding that everyone'd heard."
Clássico!!!

domingo, 19 de agosto de 2012

The Dark Knight Rises (Christopher Nolan, 2012)



Batman, o bilionário blasè que vive salvando sua cidade, sempre foi considerado um herói ambíguo. É isso que os fãs do personagem adoram repetir, ressaltando uma certa profundidade não encontrada nos outros super-heróis. Ele também não teria super-poderes - o que não é verdade, já possui o mais palpável de todos, o dinheiro. Em "Dark Knight Rises", última parte da trilogia do Cavaleiro das Trevas concebida por Christopher Nolan, o herói, a certa altura, perde seus superpoderes. Bruce Wayne perde toda sua fortuna com apostas de altos riscos na bolsa de valores. É Nolan, que no filme anterior da franquia fez o homem-morcego ir até a China recuperar o dinheiro roubado dos trabalhadores americanos, incorporando o zeitgeist à sua nova obra. De resto, a ambiguidade suplanta o personagem e se espalha por toda a narrativa - os "99%", manipulados, se vingam atabalhoadamente dos privilegiados "1%" (pra, no final, aprenderem a lição e tudo voltar a ser como era antes); a contraposição entre o indivíduo que busca fazer justiça com as próprias mãos e toda a patética e ineficiente estrutura repressora oficial (polícia, governo); a vulnerabilidade dos personagens em um filme de ação ("Dark Knight Rises" deve ser o longa do gênero onde mais aparecem personagens com os olhos marejados, quando não chorando copiosamente). Em que acredita Nolan: no indivíduo ou na sociedade, no super-herói e nos pequenos heróis (que só acertam quando agem individualmente) ou na polícia? No fim das contas, são essas as questões que vão delimitar a fronteira que separa o puro entretenimento de uma diversão mais consistente.
"Dark Night Rises", como desfecho de uma trilogia grandiosa, é um filme que busca insistentemente ser grande, o maior de todos. Essa insistência sai algumas vezes pela culatra, como quando opta por uma trilha-sonora demasiado épica do Hans Zimmer e uma duração que poderia ser ao menos uns 45 minutos mais curta, sem grandes prejuízos para a narrativa. Mas Nolan é bom no mise-en-scène, conta com um personagem já clássico e com muito dinheiro para fazer um filme tecnicamente impecável. Se a escolha de Christian Bale e Anne Hathaway  para viver o casal central não é das mais felizes, com o resto do elenco o diretor fez um gol de placa: Michael Caine continua exibindo sua elegância de outro mundo; Gary Oldman beira o excepcional com seu Comissário Gordon finalmente dizendo a que veio; Joseph Gordon-Levitt é a escolha certeira e nada surpreendente para o personagem que afinal se revela; Tom Hardy segura bem um vilão sem qualquer charme ou carisma; Marion Cotillard confirma ser, ao lado de Tilda Swinton, a atriz mais interessante do cinema atual; Cillian Murphy reincorpora Jonathan Crane de maneira mais solta e anárquica; e é sempre um prazer rever um Mathew Modine inspirado. Nolan caminhou com cuidado por aquela fronteira entre o mero entretenimento e a consistência e, se ele pendeu para algum lado durante o trajeto, possivelmente foi para o segundo.          

Album Cover: Elvis Costello (This Year's Model, 1978)



O segundo álbum do Elvis Costello, "This Year's Model", é ainda hoje o meu preferido de toda a discografia do artista. Um dos pontos altos do momento "New Wave". A capa hipster é do Barney Bubbles.

sábado, 18 de agosto de 2012

Lou Reed & Antony - Candy Says



Em 2008, foi lançado o DVD do show no qual Lou Reed tocava na íntegra o seu hoje cultuado álbum "Berlim", de 1973. Quem dirigiu foi o artista plástico e cineasta Julian Schnabel. "Candy Says" não fazia parte daquele disco, e sim abria o terceiro álbum do Velvet Underground, de 1969.

Viagem à Lua (Le Voyage Dans La Lune, George Méliès, 1902) - Music by Air

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Romneyan



O anúncio da equipe do Mitt Romney de que o escolhido para compor a chapa com o picolé de chuchu deles era o deputado Paul Ryan provocou uma corrida de reportagens na imprensa mundial sobre a história, ideias e projetos do jovem conservador. A "New Yorker" havia recém-publicado um interessante perfil do deputado de Wisconsin. E espera-se para os próximos dias mais matérias sobre o tema, de todos os lados do espectro político. O "Salon" foi mais esperto e já postou alguns dos mais divertidos cartoons sobre o candidato a veep que circulam pela rede. Em questão de humor, Romney e Ryan serão imbatíveis.  

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Luis Humberto - Crianças (1971)




Album Cover: Thom Yorke (The Eraser, 2006)


O ótimo álbum solo de estreia do Thom Yorke conta com uma das mais interessantes capas dos últimos tempos, trabalho de Stanley Donwood, responsável pela arte da capa de todos os discos do Radiohead desde "The Bends".



Outras belas imagens pontuam o projeto gráfico do disco.






domingo, 12 de agosto de 2012

Laurie Anderson - Speak My Language (de Fallen Angels, Wong Kar-wai, 1995)



A música desempenha um papel-chave nos filmes do Wong Kar-wai, quase como um personagem extra. O excerto acima é um dos mais luminosos da carreira do diretor (entre tantos outros...), de uma delicadeza e elegância raramente vistas em uma cena de masturbação - e torna "Speak My Language", da Laurie Anderson, antológica.

sábado, 11 de agosto de 2012

Soulwax - E-Talking



Names that sound familiar
Secret wounds from failure
Try and look into their eyes
A part of the weekend never dies
There's no tension in your dance
As you try and hold my hand

Late night phonecalls
Try to please all

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Posters Políticos: Our Army is an Army of Liberation of Workers (Victor Koretsky, 1939)

 

Um dos aspectos mais fascinantes da cultura pop é a apropriação de temas e trabalhos pretensamente sérios  para sua posterior massificação - o que permite uma leitura fora do seu contexto original, que muitas vezes sublinha aspectos antitéticos daquele discurso. Posters de conteúdo político são uma riquíssima matéria-prima para esse tipo de jogo. Nesse caso, a extinta União Soviética é fonte inesgotável de obras que entraram para o cânone artístico moderno.
Este poster de Victor Koretsky do início do período da II Guerra Mundial, ao utilizar uma antiga forma de cumprimento russa, não deixa de ser irônico para o público ocidental, principalmente aquele ciente das políticas do atual governo daquele país para com suas minorias.        

Ainda a Movida - Arrebato (Iván Zulueta, 1979)



Não dá pra falar de Movida Madrileña sem citar o incrível "Arrebato", do Iván Zulueta, um dos grandes momentos do cinema vanguardista. A clássica história do artista em crise criativa é contada sem maiores pudores e com generosas doses de originalidade.
Aqui, os colaboradores de primeira hora do Almodóvar, Cecilia Roth e Eusebio Poncela, fazem uma inesquecível releitura da Betty Boop - mas trata-se de um filme que merece ser visto na íntegra (e não é difícil encontrá-lo na rede).

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Almodóvar y McNamara - Suck It To Me (de Labirinto de Paixões/Laberinto de Pasiones, Pedro Almodóvar, 1982)



Pedro Almodóvar é pai e filho da "Movida Madrileña", movimento cultural de cunho libertário que surgiu na Espanha pós-franquista e que atingiu (e dialogou com) praticamente todas as artes e mídias. Depois de décadas sob a repressão de uma das mais longas e conservadoras ditaduras da Europa Ocidental, um certo grupo de boêmios, artistas, intelectuais, junkies etc. puderam dar vazão à liberdade por tanto tempo reprimida. Com muitas cores, sexo, drogas, cultura pop e estética kitsch, popularizaram-se expressões como "Esta noche todo el mundo a la calle" e "Madrid me mata".
Os primeiros filmes do cineasta espanhol ainda estavam muito impregnados desse clima e dessa estética. "Labirinto de Paixões"/"Laberinto de Pasiones", de 1982, é apenas seu segundo longa e, embora com várias arestas para se aparar, já mostrava um autor com impressionante domínio da narrativa e olhar passional (que, paradoxalmente, sempre manteve uma visão distante o suficiente de emitir juízos de valores sobre as ações de seus personagens) - qualidades essas que chegariam perto da perfeição quase 20 anos depois, com "Tudo Sobre Minha Mãe"/"Todo Sobre Mi Madre" e "Fale com Ela"/"Hable Con Ella", que mostram um artista mais sóbrio e maduro.
A provocante letra da música acima (performada pelo cineasta e pelo artista Fabio McNamara) ressalta bem os traços dos espíritos da Movida e do próprio Almodóvar, que, por um tempo, tanto se confundiram.

domingo, 5 de agosto de 2012

Debatendo Religião em A Vida de Brian (Monty Python's Life of Brian, Terry Jones, 1979)



A Vida de Brian/Monty Python's Life of Brian deve ser, ao lado de Ninotchka e Dr. Fantático/Dr. Strangelove, minha comédia favorita de todos os tempos. O retrato irônico com que trata as origens do cristianismo (e a ideia de religião de um modo geral) não passou batido - pelo contrário, gerou polêmica em todos os cantos onde foi exibido e, em alguns casos, proibido. O programa da BBC "Friday Night, Saturday Morning" de 9 de novembro de 1979 dedicou-se a discutir o filme, tendo como convidados o então bispo Mervy Stockwood, o jornalista Malcolm Muggeridge e dois integrantes do Monty Python, John Cleese e Michael Palin. Melhor que os argumentos, só mesmo a fina ironia britânica que os dois lados do debate usam igualmente para expor seus pontos de vista.

Monty Python - Election Night Special



Nos próximos meses, o tema "eleição" ganhará cada vez mais espaço nos noticiários em decorrência da aproximação das disputas municipais no Brasil e presidencial nos Estados Unidos. Nada melhor do que lembrar o hilariante esquete "Election Night Special" do grupo britânico Monty Python em seu programa "Monty Python's Flying Circus", exibido pela BBC nos anos 1970. O humor e as referências são, claro, britânicos, mas o bom telespectador não deixa de notar várias semelhanças com a cobertura feita pela imprensa de um modo geral.

sábado, 4 de agosto de 2012

The Black Keys - Next Girl



Os Black Keys se firmaram como a banda que produz os vídeos mais originais para suas músicas, sempre usando auto-ironia e boas doses de bizarrice e temática kitsch. O vídeo de "Next Girl" é um ótimo exemplo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Glória Feita de Sangue (Paths of Glory, Stanley Kubrick, 1957) - Final



Stanley Kubrick era de um anti-militarismo feroz. Ele tratou diretamente do tema em "Dr. Fantástico"/"Dr. Strangelove" e "Nascido para Matar"/"Full Metal Jacket", por exemplo, mas nada se compara a "Glória Feita de Sangue"/"Paths of Glory", um dos filmes fundamentais do cinema mundial e particularmente o meu preferido de toda a filmografia do genial cineasta norte-americano. É nesse filme, cujo roteiro conta com a colaboração do grande Jim Thompson, que encontramos os melhores e mais antológicos diálogos "kubrickianos", mas a cena final resume tudo com uma eloquência sem igual.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Scarlet Rascal & The TrainWreck



A "Dazed Digital" destacou a nova banda pós-punk Scarlet Rascal & The TrainWreck, oriunda de Bristol e apadrinhada pelo Geoff Barrow, do Portishead. Eles estão trabalhando no primeiro disco agora, mas com essas referências já mereciam uma espiada - e, sim, o som é bom.





Gore Vidal, Ben-Hur e Messala



O Gore Vidal que fica é o escritor e roteirista arrojado, não o interlocutor que dava ouvidos aos delírios de um Timothy McVeigh.

Ainda Lou Reed - Entrevista Antológica (1974)



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