sexta-feira, 8 de junho de 2012

Imprensa livre


A edição desta semana da revista britânica "The Economist" trouxe um artigo interessante sobre o chamado "filantro-jornalismo", espécie de jornalismo financiado por doadores privados para veículos gratuitos, garantindo mais liberdade editorial. Trata-se de mais um dos aspectos da revolução que vem sofrendo a mídia em geral com as grandes transformações que as novas tecnologias e as novas maneiras de se consumir informações trazem.
Lendo o artigo, não deixei de me lembrar das discussões recentes que vêm ocorrendo por aqui sobre a grande imprensa. Tudo recomeçou (o debate está sempre latente) com a denúncia de que a revista "Veja" tinha usado meios ilícitos ou anti-éticos para obter informações sobre o último escândalo do Bananão, aquele do Cachoeira. O publisher da revista e presidente do grupo "Abril", Roberto Civita, chegou a ser chamado de "nosso Murdoch" em reportagem de capa da rival "Carta Capital". Em resposta, colaboradores da revista passaram a publicar antigas reportagens da "Veja" do período da ditadura militar em que o regime era explicitamente elogiado. Esse era o período em que o editor e fundador da "Capital Capital", Mino Carta, respondia pela diretoria de redação da "Veja" - período esse em que o próprio Mino Carta dizia permitir a leitura da revista pelos donos da "Abril" apenas na segunda-feira, quando já estava impressa, de modo a não sofrer nenhum tipo de interferência editorial (embora seja difícil engolir que um patrão não tenha, e aceite não ter, controle sobre seu negócio).
A discussão toda é bem interessante. Serve para esclarecer fatos históricos e esquenta um certo debate ideológico, sempre bem-vindo. "Veja" tem uma postura crítica em relação ao atual governo e a "políticas de esquerda" em geral. "Carta Capital" tem uma cobertura mais favorável aos petistas (no que, lembram os críticos, a receita de publicidade vinda de anúncios do governo deve ajudar bastante). Particularmente prefiro uma imprensa crítica à simpatizante (ou, em outros termos, prefiro uma "contra" a uma "a favor"). só que não dá pra ser ingênuo e achar que há santos aí. Há algumas semanas atrás, "Veja" mostrou sua cobertura crítica ao governo Collor, que contribuiu para a queda do alagoano, mas "se esqueceu" de que foi bastante favorável à sua eleição. Não há só heróis e bandidos, não dá pra ficar em clima de "FlaFlu". A zona cinzenta é, infelizmente, muito mais dispersa. Que o debate nos revele mais sobre todos os lados, para que possamos ter uma visão cada vez mais transparente sobre todos os interesses em jogo.

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