quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tempo perdido


À princípio não havia entendido o por quê de um tributo à Legião Urbana promovido pela MTV a esta altura, com o Wagner Moura responsável pelos vocais, até descobrir que este ano a banda completa(ria) trinta anos. Já tinha visto os dois filmes em que o ator cantava músicas da Legião ("Vips" e "O Homem do Futuro", acho que é esse o nome) e nunca tinha pensado que Moura fosse dado a maiores ambições nessa seara, embora soubesse ele também fazia parte de uma banda, Sua Mãe, que andou até fazendo cover de "Creep", do Radiohead. Enfim, a única coisa que vinha à mente com a divulgação dessa apresentação era a pergunta "por que?" A banda já não falou o que tinha que falar e a morte do Renato Russo, corpo e alma da Legião, não tinha posto fim à mais bem sucedida experiência do rock brasileiro dos anos oitenta? Mas há, claro, a questão de mercado, e os consumidores pareceram abraçar com entusiasmo a ideia (o show único transformou-se em apresentação dupla, com todos os ingressos esgotados).
Escutei Legião Urbana durante boa parte da minha adolescência e sempre me fez algum sentido. Confesso que, salvo eventualidades nostálgicas, já não parava pra ouvir Legião há um bom tempo, justamente por associá-la àquele tempo já perdido. Entretanto, em que pese as (muitas) críticas que a banda enfrentou e enfrenta (uma das que mais me diverte é a que diz que o Renato Russo foi o primeiro emo do Brasil), sempre vi qualidades ali, e elas se resumiam justamente ao líder da banda, bom letrista e grande cantor, além de encarnar muito bem a imagem de rock star, nem que seja em versão brasuca.
Dei crédito à iniciativa da MTV e, terça-feira à noite, lá estava eu ligado no canal para assistir à apresentação ao vivo. Que não faz sentido em ser vista pela tevê. Não foi um show em sentido estrito, mas uma grande celebração, uma grande festa, uma grande karaokê, e festas e karaokês só fazem sentido para quem participa. Nem cabe aqui dizer se o Wagner Moura é ou não um bom cantor, porque o tempo todo ele se comportou como um fã que canta aquelas velhas músicas de que tanto gosta - e não dava pra fugir muito disso (acho que tentar emular o Renato Russo seria mesmo a pior das saídas). Então, mesmo com problemas técnicos (o microfone do Wagner falhou pelo menos duas vezes), mesmo com um palco espertamente reduzido mas com um telão como "teto", em que se projetavam imagens óbvias e (bem) cafonas das músicas, mesmo com o desempenho do Dado e do Bonfá (que nunca foram grandes instrumentistas), mesmo com a histeria do público, que muitas vezes se comportava como fãs de grupos megapop (a toda hora se ouviam gritos de "lindo" para o Dado), enfim, mesmo com tudo isso, o público e a banda parece que se divertiram bastante. Pra quem só viu pela TV, entretanto, não foi tão divertido assim.

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